No teatro moderno, a visão do ponto de vista do espectador
deve ser como é na vida real, ou seja, meio desorganizada. Não completamente
limpinha. A luz da vida real, às vezes, não nos deixa ver completamente o que
queremos. Se estamos à noite, se estamos em um quarto com lâmpada fraca, se
estamos em um bar, somos vistos e nos vemos de maneira incompleta. Assim será a
idéia de direção para essa peça. Nada será muito certinho, corretinho. Como os
personagens são pessoas com problemas – e é isso que torna a peça interessante,
afinal o teatro é feito de conflitos – a direção aposta em uma atmosfera onde
todos serão enferrujados. O cenário deverá ser composto de peças de ferro
velho. O figurino, amassado, envelhecido, também ferruginoso. Tudo isso porque
os personagens são errados. Então, toda a técnica deverá acompanhar essa
estética. Mas não as interpretações. Estas serão vivas e acompanhando o atual
conceito do fazer teatral, onde é preciso “ser” o personagem. A cada quadro os
atores deverão transformar-se completamente. E, se a luz, vinda de trás desse
ferro velho, não os mostrará completamente, sua verdade cênica deverá ser
total. E, como contraponto a esse processo, teremos uma trilha sonora composta
especialmente para o espetáculo. Ela será variada em cada momento, às vezes um
rock pesado, em outra cena, um delicado movimento de violinos.
Todo esse conjunto, que pareceria bizarro à primeira vista,
já foi testado em leituras públicas, onde a platéia emocionou-se; e o texto,
aproveitando essas experiências, foi aprimorado. E, para que tudo isso
funcione, usaremos o tempo que for necessário para os ensaios, dois ou três
meses. Como diretor, acredito muito neste projeto. Simplesmente porque faremos
um misto de drama e comédia. E também porque tenho certeza de que toda a equipe
se jogará com total vitalidade nas suas propostas.