Por que as relações humanas são tão complicadas, tão
instáveis, tão mutáveis? Porque nós somos emocionalmente complexos. Temos
reações diferentes para cada situação. Isso depende de inúmeros fatores como
instrução, época, antecedentes, objetivos, etc. Por isso o ser humano é
fascinante. Por isso o ser humano é inesgotável para o estudo de suas relações.
E é para isso que o teatro trabalha: analisar e por à mostra as complicadas
relações humanas. Sem perder, é claro, sua função de entretenimento.
“NEGÓCIOS INACABADOS” vai fundo nestas questões. São dez
quadros, onde as relações entre um homem e uma mulher são colocados à mostra do
público. São fatias de vida. Uma pequena parte da vida de cada uma destas
histórias contada no seu momento mais radical. A peça não esconde nada, não dá
trégua e nem faz concessões. Os personagens estão todos expostos em seus momentos
mais íntimos e reveladores. Exemplificando: um pai que fica indeciso entre
pagar o parto de sua filha ou atirar nela. Somente porque ele não concordou com
a escolha dela no casamento: o marido, um simples serralheiro. Afinal, o preço
do parto é o mesmo de um enterro. Nisso ele comete um erro trágico terrível. E
incrivelmente interessante de ser assistido. Essas fatias de vida são mostradas
como cenas curtas, onde vários universos são exibidos de maneira totalmente
radical. É claro que o humor não foi esquecido. Porque, onde há o trágico,
também há o risível. E é isso que faz do teatro uma arte tão especial.
“NEGÓCIOS INACABADOS”, enfim, comenta o que a sociedade
muitas vezes tem medo de falar. Suas entranhas, sejam elas engraçadas, ou não.